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Guia Técnico · Atualizado 2025

Modernização de Elevadores
O que precisa de saber

Normas obrigatórias, componentes a avaliar, critérios técnicos e o processo correto — tudo o que uma administração de condomínio ou gestor de edifício precisa de conhecer antes de iniciar uma modernização.

Empresa certificada DGEG
Norma EN 81-80 aplicada
+20 anos de experiência
Lisboa, Santarém & Oeste

Quando é obrigatório modernizar o elevador?

Em Portugal, a modernização de elevadores existentes decorre de duas situações distintas: intervenção por requisito de segurança imposta pela entidade inspetora ou pela DGEG, e atualização voluntária motivada por obsolescência técnica, fiabilidade ou eficiência energética.

Situação 1
Relatório de vistoria com fichas de deficiência
Após inspeção periódica obrigatória, o organismo de inspeção emite fichas de deficiência. As deficiências de categoria A e B implicam correção nos prazos definidos, podendo exigir a paragem do elevador.
Situação 2
Avaria sistemática / componentes descontinuados
Quando peças de substituição deixam de estar disponíveis no mercado, a manutenção corretiva torna-se inviável. A modernização é a única solução para repor a operacionalidade.
Situação 3
Decisão do condomínio / proprietário
Mesmo sem imposição regulatória, a modernização pode ser decidida para melhorar a fiabilidade, reduzir consumos energéticos, aumentar o conforto ou valorizar o edifício.
Um elevador com deficiências de Categoria A (risco imediato) deve ser imobilizado de imediato. Deficiências de Categoria B têm prazo de correção de 90 dias após notificação. A responsabilidade recai sobre o proprietário/condomínio.

Normas e legislação aplicável

A modernização de elevadores em Portugal está enquadrada por um conjunto de diplomas legais e normas técnicas europeias. Conhecer o seu conteúdo é fundamental para definir o âmbito correto de cada intervenção.

Decreto-Lei 268/94 & alterações
Regulamento de instalação de elevadores
Estabelece as condições de instalação, inspeção e manutenção de elevadores em Portugal. Define as competências da DGEG e os requisitos mínimos de segurança.
Norma EN 81-80:2019
Regras para a melhoria da segurança de elevadores existentes
Norma europeia que define 65 requisitos de segurança classificados em categorias C1, C2 e C3 (por gravidade e prazo de correção), para avaliação e melhoria de elevadores em serviço.
Norma EN 81-20 / EN 81-50
Requisitos para novos componentes
Quando uma modernização implica substituição de componentes essenciais, os novos devem cumprir as normas EN 81-20 (instalação) e EN 81-50 (testes e cálculos).
Portaria 348/93 & DL 320/2002
Inspeções periódicas obrigatórias
Regulamenta a periodicidade das inspeções (bienal para a maioria dos elevadores) e os organismos de inspeção acreditados.
Regulamento Ecodesign (UE) 2019/1781
Desempenho energético de motores
Define requisitos mínimos de eficiência para motores elétricos. Motores substituídos devem cumprir classes IE3 ou IE4.
NP EN 13015
Manutenção de elevadores
Estabelece as regras mínimas para o caderno de encargos de manutenção, incluindo instruções a fornecer após modernização.

Processo correto de uma modernização

Uma modernização bem executada segue uma sequência definida. Saltar etapas é a principal causa de problemas posteriores — desde conflitos com inspeções a incompatibilidades entre componentes.

1

Vistoria técnica ao local

Um técnico especializado inspeciona o elevador em operação e em paragem. Regista o estado de todos os componentes, verifica a documentação existente (livro de registo, relatórios anteriores) e avalia o espaço da casa de máquinas. Esta etapa é incontornável — sem vistoria não existe proposta fidedigna.

2

Análise das fichas de deficiência e relatórios de inspeção

O técnico cruza os resultados da vistoria com eventuais fichas emitidas pelo organismo de inspeção. Desta análise resultam os componentes de intervenção obrigatória (categorias A/B) e os que é recomendado substituir.

3

Definição do âmbito de modernização

Define-se o que vai ser substituído: pode ser uma modernização parcial (apenas quadro de comando e variador) ou total (motor, grupo de tração, quadro, cabine, portas, instalação elétrica). Esta definição determina se é necessária nova aprovação de projeto pela DGEG.

4

Projeto e aprovação (quando aplicável)

Modernizações que alterem a configuração fundamental (velocidade, carga, percurso, sistema de tração) requerem projeto subscrito por engenheiro e submetido à DGEG para aprovação prévia.

5

Execução da modernização

A intervenção é realizada por técnicos certificados. A duração depende do âmbito: uma substituição de quadro de comando pode durar 2 a 5 dias; uma modernização total pode demorar 3 a 6 semanas. O elevador fica imobilizado durante a intervenção — facto a comunicar atempadamente ao condomínio.

6

Inspeção de receção pela entidade competente

Após a modernização, é obrigatória uma inspeção de receção por organismo de inspeção acreditado (OI) antes de o elevador voltar ao serviço público.

7

Atualização do livro de registo e contrato de manutenção

O livro de registo é atualizado com os novos componentes. O contrato de manutenção deve ser revisto ou celebrado de novo de acordo com as especificações dos componentes instalados, conforme NP EN 13015.

Componentes a avaliar numa modernização

Cada componente tem critérios de avaliação próprios. A seguir descrevemos o que o técnico verifica em cada um e o que determina a sua substituição.

Motor e grupo de tração
Condicional
O motor é o componente com maior impacto no consumo energético e no conforto de marcha. A decisão de substituição depende do seu estado, tipo e da estratégia de controlo adotada.

Motor de 2 velocidades (AC2) — o caso mais comum em edifícios antigos

Construção

Dois enrolamentos independentes no estator — um para velocidade rápida (marcha), outro para lenta (nivelamento). Mais complexo e mais sensível à degradação.

Sinais de desgaste

Sobreaquecimento, ruído anormal, vibrações e disparos frequentes dos térmicos. Isolamento < 1 MΩ → substituição imediata.

Solução atual

Motor 1 velocidade + VVVF: elimina choques mecânicos na transição e reduz consumos 30–60%.

Rebobinagem do motor

Desmontagem → extração do enrolamento → recolocação de fio de cobre → impregnação com verniz dielétrico. Em motores com mais de 25 anos, a relação custo/benefício tende a favorecer a substituição. O motor rebobinado deve ser ensaiado em bancada antes da instalação.

Exigência EN 81-20 — o fio do rebobinamento deve ter isolamento de classe F (155 °C) ou H (180 °C) para suportar os picos de tensão dV/dt gerados pelo VFD. Verificado em inspeção de recebição.

Grupo de tração — rodas e elementos de tração

Roldana motriz

Ranhuras subcavadas indicam desgaste excessivo e perda de aderência — critério de substituição.

Cabos de aço

Inspeção por contagem de fios rotos por comprimento conforme norma. Substituição obrigatória ao atingir o limite.

Em elevadores de correntes, o estado das correntes e rodas dentadas deve ser avaliado separadamente — os critérios de desgaste diferem dos cabos de aço.
Quadro de comando e variador VVVF
Frequentemente obrigatório
O quadro de comando é o «cérebro» do elevador. A sua obsolescência é a principal razão de modernização em edifícios construídos antes de 2005.

Gerações de quadros — como identificar o seu

Pré-1990 — Relés e contactores

Vida útil vencida. Não suporta VVVF. Substituição inevitável.

1990–2005 — Microprocessador antigo

Componentes descontinuados. Sem suporte do fabricante → substituição necessária.

Novo quadro — o que exigir

Módulo de segurança EN 81-20 (SIL/PL), diagnóstico remoto, registo de falhas, termostato de armário.

Variador VVVF — pontos críticos de compatibilidade

Motor existente

VVVF com motor de 2 velocidades → incompatível. Exige substituição do motor por monovelocidade.

Proteções elétricas

Disjuntores, fusíveis e diferencial devem ser redimensionados para o novo equipamento.

STO — Safe Torque Off

Função de segurança obrigatória EN 81-20 (IEC 61800-5-2 SIL 2 / PLd). Corta o torque do motor sem desligar o variador — permite paragem segura em emergência sem risco de reinicio inesperado.

O que é o STO e porque importa para o seu elevador?

💡 Analogia simples
Imagine o variador VVVF como o acelerador de um carro. O STO não é o travão — é o corte de combustível. O motor deixa de receber energia e perde força imediatamente, sem precisar de desligar todo o sistema. Quando a situação é normalizada, o sistema é retomado de forma controlada.
⚠️ Sem STO — risco antigo

Nos sistemas antigos, uma falha elétrica ou um contator com defeito podia fazer o motor arrancar sem ordem. A cabine movia-se com a porta do patamar aberta — causa de acidentes graves.

✅ Com STO — proteção dupla

O STO usa dois canais independentes: mesmo que um falhe, o outro garante a paragem. Para o motor voltar a funcionar, ambos os canais têm de confirmar que é seguro.

🔒 Quando ativa

Qualquer porta de patamar aberta, nicho de inspeção ativado, botão de paragem de emergência ou anomalia do limitador de velocidade → STO ativa e o motor não pode arrancar.

Certificação obrigatória EN 81-20 / IEC 61800-5-2 — o variador com STO deve ter nível de integridade SIL 2 (Safety Integrity Level) ou PLd (Performance Level d). Isto é verificado em inspeção de recebição pelo organismo de inspeção. Qualquer quadro moderno que a FESTLIFT instale incluí esta certificação de série.
A substituição do quadro implica sempre a reprogramação completa da lógica de controlo. Não é possível migrar a programação de quadros diferentes sem validação técnica.
Cabine e portas automáticas
Condicional
O interior da cabine e as portas são os elementos mais visíveis para os utilizadores e os mais frequentemente alvo de deficiências em inspeção.

Interior da cabine — requisitos obrigatórios EN 81-20

Iluminação emergência

Autonomia mínima 1 hora, acionamento automático em falha de energia.

Intercomunicador

Bidirecional, ligação a serviço 24h. EN 81-80 req. 2.5 — obrigatório.

Botão de alarme

Tipo «pressionar e manter» com confirmação elétrica. Campainha mecânica → não cumpre.

Portas automáticas — critérios de avaliação

Portas manuais

Em edifícios de acesso público → deficiência Cat. B. Conversão para automáticas pode ser imposta pelo OI.

Deteção de obstáculos

Cortina de luz: resposta < 30 ms. Feixe simples já não cumpre.

Nivelamento de piso

Máximo 20 mm entre cabine e patamar (EN 81-20). Causa frequente de quedas e deficiências.

Dispositivos de segurança
Verificação obrigatória
Todos os dispositivos abaixo são verificados obrigatoriamente em qualquer intervenção de modernização conforme EN 81-20.
Limitador de velocidade

Aferido e calibrado periodicamente. Ensaio de paraquedas a cada inspeção. Tipo viscoso → substituir por centrífugo.

Amortecedores (buffers)

Poço, sob cabine e contrapeso. Mola em elevadores > 1,0 m/s → não cumpre norma atual.

Fim de curso

Tipo normalmente fechado (NC) obrigatório. Atuação indireta deve ser atualizada.

Contatos de porta de patamar

Contato elétrico individual por porta. Impede marcha com qualquer porta aberta.

Nicho de inspeção (topo)

Corrimão, botão de paragem e tomada de corrente — obrigatórios EN 81-20.

Iluminação do poço / CM

Mínimo 50 lux ao nível do piso do poço. Obrigatória em casa de máquinas.

Nunca aceite uma proposta de modernização que não inclua a verificação e ensaio de todos os dispositivos de segurança. Uma modernização que deixe dispositivos com deficiências não está completa.
Instalação elétrica (percurso e casa de máquinas)
Recomendada
Em modernizações totais, a instalação elétrica existente raramente está dimensionada para o novo equipamento com variador VVVF.
Cabo festonado

Ligação flexível CM–cabine. Em modernizações totais, substituição frequente para suportar nova eletrónica.

Diferencial (RCCB)

Sensibilidade 30 mA tipo A (para harmónicas do VVVF). Tipo AC → disparos falsos.

Elevadores MRL

Componentes de controlo distribuídos no percurso. Requer documentação atualizada da disposição.

Sistemas hidráulicos (elevadores hidráulicos)
Específico
Elevadores hidráulicos têm especificidades próprias. A integridade do cilindro e do grupo hidráulico deve ser avaliada antes de qualquer decisão de modernização.
Grupo hidráulico

Pressão de trabalho, vedações, nível de óleo. Queda sem fugas visíveis → fuga interna no cilindro.

Cilindro (edifícios antigos)

Risco de corrosão e contaminação do solo. Diretiva europeia pode exigir substituição por dupla vedação.

Óleo hidráulico

Substituir cada 3–5 anos. Óleo envelhecido compromete válvulas proporcionais e nivelamento.

Válvula emergência descida

Obrigatória. Impede descida não controlada em caso de rotura de mangueira.

VFD no motor da bomba

Elimina picos de pressão no arranque. Reduz consumo 20–40%.

O que reunir antes de chamar o técnico

Ter esta informação disponível permite que a vistoria técnica seja mais rápida e completa.

Relatório da última inspeção periódica

Indica as deficiências existentes, a categoria e o prazo de correção. Deficiências de Categoria A ou B exigem intervenção imediata ou em 90 dias.

Livro de registo do elevador

Contém o número de registo DGEG, o histórico de intervenções e os dados técnicos originais (fabricante, ano, carga, velocidade).

Contrato de manutenção atual

Permite verificar o que está incluído, identificar intervenções recentes e avaliar eventuais cláusulas de vinculação.

Histórico de avarias dos últimos 2 anos

Elevadores com mais de 6 avarias por ano têm um padrão de degradação que deve ser avaliado em contexto.

Acesso à casa de máquinas ou zona de controlo

A vistoria requer acesso físico ao quadro de comando, ao motor e ao teto da cabine. Garantir este acesso evita atrasos.

Número de elevadores e andares

Em edifícios com múltiplos elevadores, a modernização conjunta pode trazer vantagens técnicas e operacionais.

Sem compromisso · Deslocação gratuita

Agende uma vistoria técnica gratuita

Os nossos técnicos deslocam-se ao local para avaliação completa do equipamento, análise das deficiências existentes e definição do âmbito de intervenção adequado. Sem estimativas à distância — só diagnóstico rigoroso no terreno.

Lisboa, Santarém & Região Oeste
Resposta em 24 horas úteis
Técnicos certificados DGEG
⚙️ Motor do Elevador: Dahlander vs. Monovelocidade
Perceba visualmente porque o motor Dahlander (2 velocidades) é incompatível com VFD/VVVF — e o que a rebobinagem resolve. Exigência da norma EN 81-20.
Qual é o motor do seu elevador?

❌ Dahlander + VFD — PROBLEMA

Torque útil

✅ Motor Rebobinado + VFD — SOLUÇÃO

Torque útil
Por que o motor Dahlander é incompatível com VFD?
O motor Dahlander tem dois enrolamentos independentes nas ranhuras do estator — um para velocidade lenta, outro para rápida. Com VFD, apenas um está ligado. O ferro adjacente ao enrolamento inativo torna-se um caminho de fuga para o fluxo magnético (como um transformador com secundário em aberto). O fluxo útil no entreferro cai 30–50%, reduzindo o torque da mesma forma. Resultado: o elevador não alcança o andar com carga total, o inversor dispara sobrecarga (OL fault), e aumentar a corrente só provoca sobreaquecimento.
  • Rebobinar para enrolamento único — remover o enrolamento Dahlander e bobinar um novo monovelocidade que ocupe todas as ranhuras. Fio com isolamento classe F ou H (exigência EN 81-20 para picos dV/dt do VFD). Incluso no orçamento de modernização do motor.
  • Isolamento classe F (155 °C) ou H (180 °C) obrigatório — verificado em inspeção de recebição conforme EN 81-20. Especificamos sempre na FESTLIFT.
  • Alternativa: motor novo — se o rebobinamento não for viável (núcleo danificado, carcaça fissurada), substituímos por motor assíncrono monovelocidade IEC de potência equivalente.
  • Após a troca: configurar VFD — auto-tune estático e dinâmico, rampa de aceleração/frenagem e controlo vetorial (FOC) para torque máximo em baixa velocidade.
✅ Excelente — sem complicações adicionais.

Um motor monovelocidade é diretamente compatível com o VFD/VVVF. A modernização inclui a substituição ou reconexão do motor ao novo variador de frequência, configuração do auto-tune e otimização da rampa de aceleração para máximo conforto e eficiência — conforme EN 81-20.
✅ Sem problema — o técnico verifica na vistoria gratuita.

Na visita técnica identificamos o tipo de motor (dados de placa, ficha de ligações), avaliamos o estado e incluímos a recomendação no relatório, com verificação dos requisitos EN 81-20.